Como eu já tinha comentado aqui, eu participei da 1ª Jornada Convivendo com os Animais em Centros Urbanos aqui em Porto Alegre. Foi um encontro excelente, que debateu vários pontos importantes para se projetar e executar boas políticas públicas em prol dos animais.
Li alguns comentários desfavoráveis em relação à promoção deste evento, nos quais diziam que a prefeitura deveria parar de conversar e começar a agir. Entendo a preocupação e a urgência que o tema demanda, mas compartilhar experiências com pessoas de outros lugares, certamente contribui para uma otimização dos projetos e por consequência, das ações.
Escolhi como primeiro post sobre a jornada, a experiência da cidade argentina de Almirante Brown. A palestrante foi Mariza Antoniazzi – Presidente da Asociación Amigos del Centro Municipal de Sanidad Animal y Zoonosis de Almirante Brown , e apresentou alguns vídeos que traziam a fundamentação do trabalho realizado por eles, do qual eu trago os dados a seguir.
Então, a Organização Mundial de Saúde classifica a população canina em três categorias: cães que vivem nas ruas, cães semi domiciliados e cães domiciliados, sendo que as taxas de reprodução e sobrevivência se dão conforme a tabela a seguir:
Com a escassez de alimentos a qual os cães que vivem nas ruas estão sujeitos, um dos primeiros efeitos é a perda da capacidade reprodutiva, o que não acontece com cães domiciliados e semi-domiciliados. Ou seja, os cães que vivem nas ruas são apenas a ponta do iceberg do problema de superpopulação.
Os cães que vivem nas ruas não só são os que menos se reproduzem, eles são a consequência de um problema maior: a reprodução descontrolada dos animais domiciliados e semi-domiciliados, e que acabam nas ruas. Por essa lógica, é fácil concluir que o extermínio de cães nunca será a solução, já que o que gera o problema de superpopulação jamais será controlado com esta prática.
O caminho que Almirante Brown encontrou para resolver o problema da superpopulação de animais foi a implantação de um programa de controle ético da fauna urbana como política do município. Foi necessário o apoio do legislativo municipal para que houvesse a garantia da continuidade das ações.
O programa de esterilização cirúrgica, é acompanhado da informação e difusão de informações e do próprio programa, em um trabalho conjunto entre estado, comunidade e ONGs. O objetivo final é alcançar o equilíbrio populacional,e a mudança de hábitos na comunidade.
A esterilização cirurgica é um método ético, eficaz, seguro, econômico, definitivo e beneficia a saúde das pessoas e dos animais. E para que ela alcance impacto populacional ela deve ser: em massa, sistemática, incluindo todas as classes sociais, precoce (de preferência antes do primeiro cio), e gratuita.
Como em todo o programa de prevenção, se deve conseguir esterilizar o maior número de animais no menor tempo possível, sendo no mínimo 10% da populaçao a cada ano.
O índice oficial de estimativa da população de animais é de um cão para quatro pessoas. Ou seja, numa cidade de 100.00o habitantes devem existir cerca de 25.000 animais, dos quais 2.500 devem ser esterilizados por ano.
No próximo post você vai ficar sabendo como funciona a logística do programa de esterilização na cidade de Almirante Brown.
Fui!
P.S.Para assistir o vídeo sobre o trabalho realizado em Almirante Brown, clique aqui.
















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