cuidados com filhotes

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Semana passada li no site da Anda uma notícia sobre um filhote encontrado na Inglaterra:

Filhote de cachorro é abandonado em campo coberto de neve na Inglaterra
17 de janeiro de 2010
Por Raquel Soldera (da Redação)

Enquanto passeava com seu cachorro, uma mulher encontrou um filhote de cachorro abandonado dentro de um saco plástico, deixado para morrer em um campo coberto de neve, em Catrine Ayrshire, na Inglaterra.

Durante o passeio, o cão correu para o campo e começou a cheirar o saco plástico. Quando a mulher se aproximou para ver o que tinha no saco, encontrou uma fêmea de seis semanas, tremendo.

“Nós não sabemos há quanto tempo ela estava lá, mas acho que foi questão de horas e não dias, pois um filhote de cachorro pequeno não poderia ter sobrevivido por muito tempo no frio congelante”, disse o motorista da ambulância da SPCA, Jean MacKay. “Infelizmente muitos animais, principalmente filhotes, são abandonados após o Natal, quando se tornam presentes indesejados”, completou.

O filhote sobreviveu e foi encaminhado para o Centro de Resgate de Animais de Glasgow. As pessoas que estão cuidando dela no centro de resgate a chamaram de Katie.”

Dar um cão de presente é complicado. Ele é um ser vivo que tem necessidades, e com a chegada deles na família logicamente a rotina muda. Eles não são coisas, objetos. Eles tem necessidades, e ter ou não um animal de estimação é uma questão pessoal de cada um. Logo, nunca se deve dar um animal de presente, porque ele corre riscos de não ser bem aceito, e acabar sofrendo maus tratos, como foi o caso do filhote da reportagem. Dar bicho de presente é coisa de gente sem noção.

Mas hoje eu queria falar mesmo é sobre a grande dificuldades que a maior parte das pessoas tem em dizer: não. É um constrangimento, como se o outro não pudesse ser contrariado, porque “fica chato” . Ou vem aquele papo: “mas ele fez com a melhor das intenções”. Para esse tipo de argumento a minha resposta é sempre a mesma: O céu está cheio de boas ações, o inferno é que está cheio de boas intenções.

Chato é: um filhote ser abandonado para morrer de frio, ou atropelado pelas ruas; as pessoas não terem noção de que os animais são seres vivos e que merecem respeito; o comércio abusivo e irresponsável de animais que propicia que eles sejam disponibilizados e depois descartados como mercadorias.

Depende de nós que essas situações tristes como a do filhote abandonado para morrer congelado não aconteçam. E a melhor resposta que se pode dar para alguém cheio de boas intenções mas sem nenhuma noção é: não, obrigada.

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Recebi  da querida Fernanda  Melonio o link para esse texto publicado no Guia Vegano . Achei o texto excelente, aborda vários aspectos que devem ser considerados antes da decisão de ter uma ninhada. A vida é feita de fatos e não de fantasias. A nossa fantasia de hoje não deve ser o pesadelo dos cachorros de amanhã, né?

“Todo mundo que tem uma fêmea pensa em cruzá-la ao menos uma vez. Ter uma ninhada parece coisa legal ­ mas cuidar de uma ninhada não é tão legal quanto parece. Criar cães envolve muito mais trabalho e responsabilidade do que as pessoas estão dispostas a ter. Antes de cruzar sua cadela, aqui alguns pontos importantes a considerar:

  • Será que todos os filhotes encontrarão lares bons e permanentes? Estatísticas dos Estados Unidos falam que a cada hora nascem cerca de 2500 filhotes e 450 seres humanos. Portanto desde o nascimento, só um em cada quatro filhotes terá chances de encontrar um bom lar. Encontrar um lar permanente é ainda mais difícil somente um em cada 10 cães permanecem com seus donos originais por toda a sua vida. Cinco trocarão de dono antes de completar um ano de vida. E o saldo terminará em abrigos, abandonados ou indesejados. Mesmo que seu cão seja um cão de raça caro, seus filhotes estão sujeitos às mesmas estatísticas. Milhões de cães serão sacrificados anualmente em instituições ao redor do mundo já que não há lares suficientes para abrigá-los. Há tantos animais abandonados hoje em grandes cidades, que os legisladores já pensam em coibir ou limitar drasticamente a criação de cães.
  • Suas responsabilidades como criador/doador: você é pessoalmente responsável por cada filhote pelo resto de suas vidas. Sua responsabilidade não cessa no ato da venda/doação do filhote­ é bem aí que essa responsabilidade começa! Você é que vai ter que saber exatamente onde esses filhotes estarão daqui a seis meses, um ano ou cinco anos, e saber se os mesmos estão recebendo a atenção necessária. Você será responsável por todos os filhotes não vendidos/não doados e receber de volta aqueles que serão devolvidos após terem crescidos e seus donos não mais os quererem. Como somente um em cada 10 filhotes ficará com seu dono original por toda a sua vida, você terá que estar preparado a receber de volta uma boa parte de sua ninhada. A hora de se preparar para isso é agora ­ antes de trazer novos filhotes para esse mundo, não depois.
  • Você terá espaço para esses cães? Tempo para cuidar deles? Parece que ter uma só ninhada não terá grande efeito sobre a população canina em geral ­mas se sua cadela tiver uma só ninhada de quatro filhotes e cada filhote produzir mais quatro filhotes, em 7 anos teremos 4.000 descendentes! “Somente uma ninhada” tem sérias conseqüências! Você terá que aprender a escrever e exigir cumprimento de um contrato que exige que os donos dos filhotes castrem os mesmos. Você tem a responsabilidade perante seus filhotes e seus donos de criar cães os mais saudáveis, física e mentalmente.
  • Todas as raças possuem problemas genéticos e de temperamento específicos que podem ser passados aos seus filhotes. Muitos defeitos hereditários estão “escondidos” apesar de que seu cão possa não apresentá-los, ele poderá estar programado geneticamente a transmiti-los a seus filhotes. Sem exames caros e complexos e um estudo aprofundado de pedigrees, você poderá facilmente estar produzindo filhotes que serão uma dor de cabeça para seus donos e um peso financeiro para você. Criadores sérios avaliam seus padreadores e suas matrizes para encontrar evidências de displasia, doenças oculares, de coração, de tireóide, hormonal, de pele, alergias e problemas de coagulação antes mesmo de pensar em fazer um cruzamento. Como criador você deve estar preparado para dar garantias aos novos donos que os filhotes estão livres das doenças hereditárias típicas da raça quando atingirem idade adulta. Isso pode significar o reembolso de dinheiro daqui a alguns anos ou ter que oferecer um novo filhote sem custo.
  • Com nova legislação, criadores sem experiência poderão estar reembolsando até três vezes o valor recebido hoje daqui a três anos, adicionado de despesas veterinárias, correção monetária e multa. E temperamento também está sujeito a garantias. Você poderá ser processado se o filhote que você vendeu ontem morder alguém amanhã. Você terá que estar presente para dar aos donos conselhos sobre treinamento e comportamento.
  • Você é o “suporte on-line”, 24 horas por dia, 365 dias por ano, para os novos donos, e isso pelos próximos 10 a15 anos! Ter uma ninhada sai caro: Criar uma ninhada exige um considerável investimento de tempo e dinheiro que certamente não voltará sob forma de lucro. Depois virão os exames pré-natais, ultra-som, exames pós-parto, vacinação e vermifugação, remoção de ergot (5ª unha), alimentação adicional para a mãe, equipamento como caixa de parto, cercado, etc. Partos com complicação são mais comuns do que se imagina(especialmente se for o primeiro parto da cadela). E problemas durante o parto poderão custar a vida da cadela! Você pode calcular uma taxa de mortalidade de 25% para os recém-nascidos, mesmo fazendo tudo corretamente. E defeitos de nascimento como palatos abertos são comuns. Depois disso virão custos para anúncios para a venda dos filhotes. Mesmo criadores de cães campeões raramente obtém algum lucro na sua criação.

Antes de continuar a ler, pense bem sobre as razões que fazem você desejar criar uma ninhada. Aqui algumas das mais comuns:

  • “A natureza fez com que os animais procriassem”. Não é mais a natureza que controla a carreira reprodutiva dos nossos animais de estimação as pessoas é que o fazem. A natureza age de maneira bem diferente. No ambiente selvagem a natureza se encarrega que somente os filhotes mais fortes e espertos sobrevivam para criar novos descendentes. E a natureza só permite às cadelas ficarem férteis quando há alimento suficiente e um ambiente seguro, para garantir a sobrevivência da ninhada. Nós humanos permitimos que nossos animais procriem a qualquer tempo, tenham um futuro assegurado ou não.
  • “Estamos fazendo isso pelas crianças”. Assistir ao milagre da natureza não é tudo aquilo que se diz. É um acontecimento cheio de sujeira e sangue e quase sempre acontece no meio da noite. É doloroso para a cadela e seu sofrimento pode ser mais do que você deseja que seus filhos assistam. Existem vídeos e livros que mostram às crianças o milagre do nascimento sem os custos e a responsabilidade de criar novos cães.
  • “Queremos um outro cão igual a este”. Os filhotes terão 50% de chance de puxar traços do outro cão! Seu cão é único e especial. As leis de hereditariedade impedem que dois seres sejam idênticos. A maioria das qualidades que fazem sua cadela tão especial é adquirida, não herdada.
  • “Queremos ficar com um filhote”. É bem mais barato e mais fácil comprar ou adotar um novo filhote do que criá-lo você mesmo!
  • “Todos nossos amigos querem um filhote”. Qualquer pessoa que viu sua cadela quando filhote dirá que “um dia” vão querer uma igual. Mas esse dia raramente coincide com a época em que os filhotes estão prontos para ir aos seus novos lares. Você ficará surpreso de quantas pessoas subitamente não tem tempo disponível para um filhote no momento ou não estão dispostas a pagar o preço que você está cobrando. Não conte com promessas vagas! Encontrar lares adequados para os filhotes é mais difícil que parece. Nem todo mundo deve ou pode ter um cão e é quase impossível saber a diferença entre um bom e um mau dono. Você terá que ter uma grande capacidade de julgamento de caráter e estar disposto a investir tempo considerável para conhecer melhor as pessoas às quais você planeja vender/doar um filhote. Será que eles tem a experiência para criar e treinar um filhote?
  • “Ela precisa ter uma relação sexual”… Ou …”Ele precisa abaixar o facho” Não nos dois casos. O sexo dos animais é controlado por hormônios. Não existe amor, emoção ou pensamento envolvido. Uma fêmea somente “pensa” em sexo quando está no cio e ela esquece isso assim que o cio passa. E os machos somente pensam em sexo ao estarem próximos de uma fêmea no cio. Deixar o macho cruzar não vai “abaixar o facho” ­ vai sim fazê-lo ficar pior. Ficará mais territorial e agressivo perante outros cães, poderá voltar a sujar dentro de casa e poderá ficar incontrolável caso haja uma fêmea no cio próximo à sua casa . O macho que nunca cruzou desconhece e não sente falta de cruzar. “Abaixar o facho”, seja de um macho ou de uma fêmea, é questão de maturidade e treinamento e não de cruza. Não existe fundamento na sabedoria popular que cães devem cruzar ao menos uma vez antes de ser castrados. Se algum veterinário der esse conselho, tenha certeza que ele está atrasado no tempo. Pesquisas demonstram que castrar cães ainda filhotes não causa nenhum efeito negativo. Castrar uma fêmea antes do primeiro cio pode prevenir alguns tipos de câncer e infecções urinárias sérias. E castrar um macho não tira sua masculinidade. Muito pelo contrário, esse macho se tornará um animal mais fácil de ser treinado e possibilitará que ele canalize sua energia para atividades mais construtivas.
  • “Queremos recuperar o investimento em nosso cão” Como dito acima, será muito difícil obter algum lucro na criação. Criar uma ninhada certamente resultará em prejuízo. Você provavelmente comprou um cão para ter um companheiro e ter prazer. Mesmo tendo pagado R$500,00 isso é um investimento de somente R$50,00 por ano, se o mesmo viver 10 anos, ou seja, menos que R$1,00 por semana. Será que o companheirismo e amor que ele retorna não vale mais do que isso?

Aprendendo a criar com responsabilidade: Se você assim mesmo acha que possui razões excepcionalmente boas para usar seu cão para criação e para toda a responsabilidade que isso envolve, seu trabalho está somente começando.
Procriar cães hoje em dia é assunto sério. Antes de seguir adiante, visite o Centro de Zoonoses mais próximo à sua casa e veja o que acontece com cães que foram criados por pessoas que pensavam que seria “divertido” ter uma ninhada.

O ‘‘milagre da morte” pela eutanásia é tão educador quanto o “milagre da vida”. Se você assim mesmo decidir criar cães, esteja ao menos consciente das conseqüências. Valerá a pena? Na maioria dos casos, a resposta é não. A decisão de NÃO cruzar seu animal de estimação é uma das decisões mais inteligentes, educadas e profundas que você pode fazer. Pense nisso e releia todo esse texto. E só depois decida.”

Dieter Gogarten

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Por  Dra. Renata Saccaro

Todos os que amam os animais certamente concordarão comigo: filhotes são maravilhosos!! É emocionante assistir a um parto, ver os bebês mamando, a dedicação da fêmea com seus filhotes, ver os bebês crescendo

Vocês também concordam que filhotes são lindos, com aqueles olhinhos recém abertos, e as patinhas minúsculas, não é?! Parecem de pelúcia, de brinquedo, mas toda esta satisfação vem acompanhada por muitos deveres.

Os filhotes necessitam, assim como as crianças, de cuidados com alimentação, higiene, saúde; tomam tempo, requerem dedicação, espaço e dinheiro!

Considero todo esse cuidado recompensador. Mesmo sem esperar nada em troca, recebemos muito. Quando pensamos em ter um animal de estimação, ou ainda quando presenteamos alguém com pets, devemos ter em mente todos os fatores citados acima e, principalmente, que eles não são de brinquedo.

Filhotinhos mimosos crescem e podem tornar-se muito grandes e estabanados, como os tão famosos Beethoven e Marley. Isto tudo é cômico e divertido em livros e filmes, mas você está preparado para conviver com isto diariamente?

Eu sou suspeita para falar, pois sempre acho que todo trabalho com eles vale a pena, mas nem todas as pessoas pensam assim. E, para evitarmos que estes animais acabem abandonados nas ruas ou abrigos é que temos que avaliar bem a situação antes de fazer uma escolha.

Tudo que temos em excesso, acaba perdendo o valor. Infelizmente, é o que acontece na sociedade atual com os cães e gatos. Animais de raças caras e raras, que requerem muitos cuidados para sobreviver, são muito valorizados; enquanto os abundantes “sem raça definida” ou os de raças mais comuns, descartados.

Acredito que as únicas formas de controlar estes excessos são educando as crianças e adultos e realizando controle populacional, o que discutiremos agora.

Temos, basicamente, três métodos de controle de natalidade comumente usados:

O primeiro consiste em mantermos animais de sexo oposto separados durante períodos férteis. Isto pode funcionar em cães, em pátios bem fechados, embora não se evite tentativas de fuga e ferimentos, uivos e latidos constantes e possíveis falhas.

Em se tratando de gatos, é praticamente impossível mantê-los presos durante estes períodos. Eles conseguem driblar as barreiras muito bem, além de se estressarem bastante e enlouquecerem seus responsáveis.

Um segundo método é o hormônio anticoncepcional. Desaconselho este método em função das doenças que pode precipitar, como tumores e infecções, além de falhas quando aplicado em períodos inadequados.

O terceiro e último, totalmente confiável , desde que realizada com muito cuidado, é a esterilização, também chamada castração. Pode ser realizada em ambos os sexos, consistindo na retirada de útero e ovários em fêmeas, não havendo mais sangramentos e a tão desagradável gestação psicológica, e  retirada dos testículos em machos.

Nestes últimos, observamos mais resistência por parte dos responsáveis e gostaria de lembrar que existe um método alternativo, porém que não reduz os hormônios masculinos, que é a vasectomia, onde só se ligam os canais que transportam os espermatozóides, sem a retirada das glândulas sexuais masculinas.

Existem vários mitos a respeito das esterilizações e o profissional atualizado de medicina veterinária poderá fornecer orientações importantes. A seguir, esclareço alguns mitos…

Não há problema algum em se realizar a cirurgia antes do primeiro cio, ao contrário, reduz a incidência de tumores de mamas em gatas e cadelas.

Animais castrados não ficam apáticos, quietos ou indiferentes ao meio, mas podem tornar-se um pouco mais sedentários e com tendência a obesidade. Isso pode ser contornado através de controle alimentar e exercícios.

É importante que os vários fatores que implicam na vinda de um pet para as nossas casas sejam sempre bem avaliados antes da tomada de decisão.

Dra. Renata Saccaro
renata@hospitalveterinariors.com.br

Graduada  em Medicina Veterinária pela UFRGS, em 2001
Estágio curricular no
SouthPaws Veterinary Referral Center, nos EUA.
Pós-graduação lato sensu em Nutrição e Alimentação de Cães e Gatos pela UFLA, em Minas Gerais, no ano de 2006.
Pós-graduação lato sensu em Análises Clínicas Veterinárias, pela UFRGS, no ano de 2008.

Podcast - Parecem de pelúcia, mas…

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