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Estou para escrever este post há tempos, inclusive recebi um e-mail da Vivi Vieri sobre o  assunto, mas  é uma questão espinhosa porque envolve várias situações tradicionalmente preteridas pelas instâncias públicas que deveriam dar conta delas: os animais e as pessoas com problemas mentais.

O abandono histórico, a falta de políticas públicas efetivas de saúde mental, de proteção aos animais e controle populacional fazem com que esta seja uma combinação trágica tanto para as pessoas quanto para os animais.

Uma situação recorrente é o abandono de animais na casa dessas pessoas, que acabam tornando-se  referência como alguém que gosta de animais, quando na verdade são pessoas doentes.

Os colecionadores  só acumulam animais mas nunca os doam, apesar da impossibilidade de cuidá-los de maneira adequada. Em  função deste excesso deixam de ter vida social, não conseguem cuidar de casa, do trabalho, da família.

O que torna essa situação mais complicada é que eles não tem a capacidade de compreender  a deterioração progressiva da saúde e higiene de seus animais, (não reconhece a doença, a morte e a fome) e do meio onde se encontram (superlotação e más condições higiênicas). A falta de juízo crítico faz com que as intervenções com essas pessoas sejam mais complicadas, requerendo uma ação interdisciplinar (ministério público, assistente social, psicólogo, psiquiatra…)

Isso acontece também com instituições de proteção animal, que pela dificuldade de reconhecer os seus próprios limites acabam recolhendo muito mais animais que a sua estrutura permite, colocando-os em uma situação pior a que a das ruas.

Perfil do Colecionador

EM 1999 o Dr. Gary Patronekconduziu uma pesquisa para traçar o perfil do acumulador de animais e, chegou às seguintes conclusões:

* 76% são mulheres.
* 46% têm 60 anos ou mais.
* A maioria é de solteiros e mais da metade vive sozinho.
* Em 69% dos casos, fezes e urina de animais estavam acumuladas nas áreas sociais da casa. Em mais de 25% dos casos, a cama do acumulador estava suja com fezes e urina.
* Animais doentes ou mortos foram descobertos em 80% dos casos relatados, ainda que em 60% dos casos os acumuladores não reconhecessem o problema.

Clique aqui para ler a reportagem da Revista Época, e lembre-se: Castração e posse responsável são a solução para que não haja abandono e sofrimento dos animais.

Fontes:

Irmão Sol, Irmã Lua

União Libertária Animal

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No twitter do Lobo Repórter encontrei um link para um post do Blog de José Saramago, que havia lido no ano passado sobre a questão dos animais. Um texto lúcido de alguém que enxerga em um mundo onde a maioria parece ser cega.

A merecida paz para ele que se foi, e sorte para nós que ficamos.

Susi
Por José Saramago

Pudesse eu, e fecharia todos os zoológicos do mundo. Pudesse eu, e proibiria a utilização de animais nos espectáculos de circo. Não devo ser o único a pensar assim, mas arrisco o protesto, a indignação, a ira da maioria a quem encanta ver animais atrás de grades ou em espaços onde mal podem mover-se como lhes pede a sua natureza. Isto no que toca aos zoológicos. Mais deprimentes do que esses parques, só os espectáculos de circo que conseguem a proeza de tornar ridículos os patéticos cães vestidos de saias, as focas a bater palmas com as barbatanas, os cavalos empenachados, os macacos de bicicleta, os leões saltando arcos, as mulas treinadas para perseguir figurantes vestidos de preto, os elefantes mal equilibrados em esferas de metal móveis. Que é divertido, as crianças adoram, dizem os pais, os quais, para completa educação dos seus rebentos, deveriam levá-los também às sessões de treino (ou de tortura?) suportadas até à agonia pelos pobres animais, vítimas inermes da crueldade humana. Os pais também dizem que as visitas ao zoológico são altamente instrutivas. Talvez o tivessem sido no passado, e ainda assim duvido, mas hoje, graças aos inúmeros documentários sobre a vida animal que as televisões passam a toda a hora, se é educação que se pretende, ela aí está à espera.

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Perguntar-se-á a que propósito vem isto, e eu respondo já. No zoológico de Barcelona há uma elefanta solitária que está morrendo de pena e das enfermidades, principalmente infecções intestinais, que mais cedo ou mais tarde atacam os animais privados de liberdade. A pena que sofre, não é difícil imaginar, é consequência da recente morte de uma outra elefanta que com a Susi (este é o nome que puseram à triste abandonada) partilhava num mais do que reduzido espaço. O chão que ela pisa é de cimento, o pior para as sensíveis patas deste animais que talvez ainda tenham na memória a macieza do solo das savanas africanas. Eu sei que o mundo tem problemas mais graves que estar agora a preocupar-se com o bem-estar de uma elefanta, mas a boa reputação de que goza Barcelona comporta obrigações, e esta, ainda que possa parecer um exagero meu, é uma delas. Cuidar de Susi, dar-lhe um fim de vida mais digno que ver-se acantonada num espaço reduzidíssimo e ter de pisar esse chão do inferno que para ela é o cimento. A quem devo apelar? À direcção do zoológico? À Câmara? À Generalitat?

P. S.: Deixo aqui uma fotografia. Tal como em Barcelona há grupos – obrigado – que têm pena de Susi, na Austrália também um ser humano se compadeceu de um marsupial vitimado pelos últimos incêndios. A fotografia não pode ser mais emocionante.

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Encontrei no site da Anda uma matéria da Revista Época que trata da questão dos cuidados paliativos para animais. Para quem não sabe, cuidados paliativos é  a área da medicina que se ocupa em melhorar a qualidade de vida e diminuir o sofrimento de pacientes cuja doença não tem cura, e a sua progressão leva à morte.

É uma área nova dentro da medicina veterinária, e certamente muito importante para trazer qualidade de vida para os animais com doenças incuráveis. A eutanásia é vista como uma última possibilidade quando não se pode oferecer mais uma vida digna com bem estar para o animal doente. Essa é uma perspectiva importante porque muitas vezes a eutanásia é vista como a primeira alternativa quando ela deve ser a última.

Segue a reportagem da Revista Época:

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A foto acima mostra uma equipe médica pioneira. Edlberto Rodrigues, Denise Fantoni, Teresinha Martins e Daniella Godoi são veterinários do primeiro ambulatório de cuidados paliativos para animais domésticos do Brasil. Eles amenizam o sofrimento de cães e gatos com doenças sem chance de cura. Mais do que isso: ajudam os donos a oferecer qualidade de vida e conforto para seus bichos de estimação quando mais precisam. Em um dos consultórios do Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), a palavra sacrifício é a última a ser ouvida. Lá, a perspectiva da morte é trabalhada, mas deixada em segundo plano. O importante é oferecer um final de vida com menos sofrimento possível para animais portadores de doenças crônico-degenerativas, como o câncer, e dor extrema. Raríssima em animais, a prática dos cuidados paliativos representa uma mudança na visão da medicina veterinária que costumava determinar a eutanásia como o destino natural de um bicho velho ou doente.

Estima-se que existam 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos no Brasil. Em grande parte dos lares do país, o animal é visto como alguém da família. O problema é que a expectativa de vida dos bichos, mesmo sendo maior hoje em dia, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Mais cedo ou mais tarde, ele terá que lidar com a perda do animal querido. Pensando como os médicos veterinários poderiam ajudar nesse momento, a professora Denise Fantoni decidiu acompanhar em 2005 a rotina de pacientes terminais do Hospital das Clínicas de São Paulo. A experiência possibilitou ao grupo de estudos chefiado por ela na USP conhecer os caminhos para a melhoria da qualidade de vida de pacientes com esse perfil. Denise percebeu ali que poderia aplicar o conceito de cuidados paliativos no mundo animal.

No ambulatório do Hospital Veterinário da USP, todos os animais têm algum tipo de doença que os levará à morte. O tratamento realizado no local consiste, basicamente, em um trabalho de medicação e orientação. Os veterinários receitam remédios para que o bicho não sofra com as dores da doença, acompanham a evolução do quadro clínico e ensinam aos proprietários medidas simples para melhorar a rotina dos animais, como fazer a vontade deles sempre que possível. “Em geral, um cachorro deve ser alimentado com ração. Mas nesse momento da vida isso deixa de fazer sentido”, diz Denise Fantoni. “Se ele gosta mais de comer carne ou macarrão, orientamos o dono a dar ao bicho o que ele quer.” Outro tipo de medida ensinada no ambulatório refere-se ao local em que o animal passará a maior parte do tempo. “É importante nessa escolha levar em conta o aumento da proximidade do cão com as pessoas da casa”, afirma Teresinha Martins, colaboradora do programa e veterinária. “Não é porque ele está com uma doença que deve ficar no quintal sozinho. Trazê-lo para dentro e dar muito carinho são essenciais.”

A equipe ainda recomenda aos proprietários rigor com o horário das medicações. Caso contrário, as dores – e o sofrimento do bicho – podem piorar. Os pacientes são acompanhados de perto pelos veterinários do ambulatório por meio de consultas semanais, quinzenais ou mensais. Dependendo do caso, eles fornecem seus telefones para que possam ser informados pelos donos sobre a evolução da doença.

A base dos cuidados paliativos no Hospital Veterinário da USP está em um questionário elaborado pela professora Denise e por sua ex-doutoranda, a veterinária Karina Yazbek. Ele é composto por doze perguntas feitas ao proprietário do animal a cada consulta (ver quadro abaixo). As questões avaliam a disposição do bicho para comer, brincar, andar e dormir, entre outros aspectos. O seu resultado pode determinar a alteração ou não do tratamento. “É através das respostas que a equipe avalia se as medicações estão surtindo efeito para conter a dor”, diz Daniella Godoi, veterinária e outra colaboradora da equipe. “Se notarmos que não existe mais qualidade de vida para o bicho, a eutanásia se torna a única alternativa para acabar com o seu sofrimento.”

É quando a morte, até então em segundo plano no ambulatório, adquire forma. Vista por alguns como um fracasso, ela é enxergada pelos veterinários como a chave dos cuidados paliativos: “A morte não é um fracasso para o médico. Fracasso é não tratar o bicho com dignidade e respeito quando ele está à beira da morte. Nosso trabalho não é acrescentar dias de vida ao bicho, mas dar qualidade de vida aos poucos dias que ele tem”, afirma Teresinha.

A consulta de Neguinha

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Sexta-feira, 7 de maio. Maria e Tânia Sargiani, mãe e filha, estão apreensivas. Na sala de espera do ambulatório de dor e cuidados paliativos do Hospital Veterinário da USP, elas acariciam a vira-lata Neguinha e aguardam com tristeza o momento da consulta. A cadela está deitada sobre um lençol verde com motivos florais e parece não ter forças para ficar em pé. É a primeira vez que vem ao local.

Maria traz olheiras profundas no rosto. Um sinal de quatro noites mal dormidas. Na segunda-feira (3), a família Sargiani recebera a notícia que trouxe sofrimento para todos. Neguinha, de 10 anos, está com câncer. São três tumores que não podem mais ser extraídos: um no pulmão, um enraizado em um dos ossos da coluna e outro na região dos linfonodos (gânglios do animal onde ficam as células responsáveis pela defesa do organismo) – cerca de 80% dos cachorros tratados no ambulatório têm câncer. Depois de fazer todos os exames na área clínica do Hospital Veterinário, Neguinha foi encaminhada para a equipe de Denise Fantoni.

Maria e Tânia são recebidas por Teresinha Martins. A veterinária pega o prontuário e avalia as anotações feitas pela médica que atendeu a cadela no hospital pela primeira vez. A consulta começa:

– Eu sou a doutora Teresinha. Vocês vieram na segunda-feira ao hospital, certo?

– Isso mesmo. Ficamos desesperadas quando recebemos a notícia do câncer – responde Maria, com lágrimas nos olhos.

– Faz um mês que a Neguinha ficou doente – diz Tânia. Apareceu um carocinho no dorso dela e fomos até uma clínica particular que fica perto de casa. A veterinária disse que era um nervo sebáceo, que não deveríamos ficar preocupadas. Mas em um mês a Neguinha começou a emagrecer muito e o caroço não parou de crescer. Daí, resolvemos trazê-la até a USP e vocês descobriram o câncer. Infelizmente, não adianta mais operá-la.

– Eu acho que o trabalho desse ambulatório vai dar apoio pra gente, mais do que pra ela – afirma Maria acariciando a mascote da família. A Neguinha é como se fosse uma filha pra gente. Esta semana está sendo muito difícil, doutora. Não conseguimos dormir à noite, é preciso colocar máquina de oxigênio a todo instante porque ela fica com falta de ar. A gente não sabe quanto tempo isso vai durar, né? Porque é imprevisto. Está muito difícil mesmo…

– Bem, dona Maria, aqui, não vamos conseguir resolver o problema da Neguinha. Mas tentaremos por meio de medicação, de orientação geral, dar qualidade de vida pra ela. Nosso lema é qualidade de vida. Não sei se por uma semana ou por um mês. O importante é que ela viva bem o tempo que lhe é permitido – diz Teresinha. Não posso adiantar se o câncer evoluirá de uma forma mais rápida ou não, se vocês terão que decidir em algum momento o que vai ser feito, mas digo que precisam ter consciência disso.

– Prefiro nem pensar nessa possibilidade – diz Maria com a voz quase rouca.

Teresinha se levanta e começa a examinar Neguinha. Faz com que ela ande pelo consultório e avalia sua mobilidade. Alguns minutos depois, retoma a conversa com as proprietárias.

– Pelo que observei a Neguinha está consciente, lúcida, interagindo com o ambiente e anda com algumas dificuldades. O que devemos fazer agora é diminuir a dor provocada pelo câncer e cuidar dos problemas de coluna que surgiram em decorrência da idade – afirma Teresinha. Mas, em geral, ela está bem.

– É, hoje ela está bem melhor mesmo – diz Tânia.

– E isso é normal. Alguns dias ela estará melhor, outros não estará tão disposta. O que vocês estão dando pra ela comer?

– Ela come tanto ração, quanto comida – responde Maria.

– Então, dona Maria, a orientação que a senhora ouviu até hoje é que a ração para o animal é a melhor coisa. Mas, neste momento, o ideal é que a Neguinha se alimente. Se ela parar de comer, a situação clínica dela poderá piorar. Por isso, se a Neguinha quiser comer ração, a senhora deve dar. Se ela quiser comer arroz com frango, a senhora também deve dar. Ela gosta de fruta?

– Sim, ela come mexerica. Adora mexerica, laranja…

– Muito bom. Continuem dando essas frutas pra ela. Faz bem para o funcionamento do intestino.

Neste instante, Teresinha pega uma papeleta com uma escala de zero a dez e pergunta para Maria qual número representa a intensidade de dor que Neguinha está sofrendo naquele momento. Maria responde três. O critério, para muitos subjetivo, ajuda a avaliar a percepção do dono em relação à doença do bicho, explica a médica. A cada consulta o procedimento é repetido. “É uma medida necessária para que eu veja se meu trabalho está surtindo efeito”, diz Teresinha. “A partir do que o proprietário observa do comportamento do cão no dia a dia, posso ajustar o tipo de cuidado aplicado.”

Teresinha passa para a etapa final da consulta.

– A minha avaliação é que a cachorrinha de vocês está com um quadro clínico muito bom. Peço que mantenham a mesma medicação receitada pela clínica geral do hospital. Posso adiantar também que a Neguinha ficará um tempo conosco.

– Como assim? – questiona Maria de maneira assustada. Vocês vão interná-la?

– Não, calma, dona Maria! Quero dizer que vocês terão que voltar mais vezes aqui. Vamos marcar novas consultas.

– Ah, sim… Nossa, me deu um aperto no coração agora.

Tânia afirma que a família está bem abalada com a doença de Neguinha:

–Qualquer suspiro que a Neguinha dá pela noite a gente já acorda.

– Mas vocês estão acostumando ela mal – diz Teresinha. É bom dar conforto e atenção nesse momento, mas sem exageros.

– Nosso sofrimento aumentou muito depois da notícia… – afirma Maria.

– Isso não é bom pra vocês. Deixem ela viver a vida dela também. Relaxem! – diz Teresinha.

A consulta chega ao fim. Dentro de uma semana, Neguinha estará de volta para uma nova avaliação. Mais do que oferecer suporte médico, a equipe do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP precisa dar suporte emocional para os proprietários.

O Lado dos Médicos

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Na tarde em que Neguinha foi avaliada, o poodle Johnny, de 14 anos, também passou pelo ambulatório da USP. O animal começou a ser tratado ali em abril. No ano passado, um tumor foi identificado no baço do cachorro e extraído posteriormente em uma cirurgia. Mas a doença não desapareceu. E os efeitos da velhice só aumentaram. Johnny tem metástase do câncer na região dos linfonodos e graves problemas na coluna.

Assim como a cadelinha de Maria e Tânia Sargiani, Johnny é considerado um filho por sua proprietária, a psicóloga Denise Leite. Ela conta que decidiu criar o poodle por insistência de sua filha mais nova. Hoje, o cachorro virou parte essencial da família. “Eu trabalho o dia todo, mas sempre que posso dou um jeito de ir para casa e medicá-lo”, diz Denise. “Quando não posso, conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha para mim.” Teresinha Martins afirma que Denise é uma proprietária muito dedicada e atenciosa, características fundamentais para o tratamento.

Envolvimento

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A veterinária Teresinha Martins posa para foto com quadro de cachorros ao fundo. Ela diz que é impossível não se comover com os casos atendidos no ambulatório
Casos como o de Johnny e Neguinha exigem preparo emocional dos veterinários envolvidos com os cuidados paliativos. Desde 2005, cerca de mil animais já foram atendidos no ambulatório. Em média, 400 consultas ocorrem todos os anos. É comum o proprietário demorar a aceitar a perspectiva da morte do seu bicho de estimação. “Atendemos pessoas que só vivenciam a perda quando chegam aqui”, diz Teresinha. “Por isso, precisamos ser um pouco psicólogos.” Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde 1992, Denise Fantoni afirma que não consegue deixar de se envolver com as histórias e prefere atuar nos bastidores. “Choro mais que o proprietário”, conta. Ela lembra até hoje do caso de um italiano que veio ao consultório com sua cadela, uma labradora. Ela tinha um tumor no baço. Os cuidados paliativos estavam em andamento quando o tumor rompeu. “O proprietário chegou desesperado com a cadela no colo. Ela estava morrendo. Ele me abraçou e disse: ‘E agora, doutora? O que a gente faz? Se fosse a sua cachorra, a senhora sacrificava ou não?’. Depois disso, eu comecei a chorar no ombro dele. Foi algo muito triste”, diz Denise.

O momento da decisão do sacrifício é a etapa final do ciclo de cuidados paliativos. Isso significa que o bicho não está mais respondendo bem ao tratamento e começa a sofrer. “A gente estuda para salvar, não para matar”, diz Edlberto Rodrigues. “Mas eu acredito que a ferramenta da eutanásia quando bem utilizada é fundamental”, afirma Daniella Godoi. Apesar de concordar, Teresinha faz uma ressalva: “A eutanásia não é o nosso foco. Embora ela exista, nosso objetivo é trabalhar o proprietário para que ele dê o melhor tipo de cuidados ao seu animal. Seja por um, seja por vários dias.”

AVALIAÇÃO
O questionário aplicado pelos veterinários do ambulatório de dor e cuidados paliativos da USP. Ele ajuda a melhorar a qualidade de vida dos animais
1.     Você acha que a doença atrapalha a vida do seu animal?
2.     O seu animal continua fazendo o que gosta (brincar, passear…)?
3.     Como está o temperamento do seu animal?
4.     O seu animal manteve os hábitos de higiene (lamber-se, por exemplo)?
5.     Você acha que o seu animal sente dor?
6.     O seu animal tem apetite?
7.     O seu animal se cansa facilmente?
8.     Como está o sono do seu animal?
9.     O seu animal tem vômitos?
10.  Como está o intestino do seu animal?
11.   O seu animal é capaz de se posicionar sozinho para fazer as necessidades fisiológicas?
12.   Quanta atenção o animal está dando para a família?

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A Mariana, leitora do Blog gentilmente enviou em PDF o cartaz acima. Se você tiver interesse em colocar na sua loja é só clicar na imagem e imprimir! Os animais agradecem a sua consciência : )

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Vi lá no Mãe de Cachorro o vídeo com a matéria feita hoje pela manhã no Bom Dia Brasil, se retratando em relação à matéria que falava sobre a eutanásia como meio de controle populacional de cães e gatos abandonados.
Já é um bom começo

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Estava eu, sossegada, dando uma olhada no twitter, quando vejo um link do @loborepórter com esta pérola.

Eu fico IMPRESSIONADA com a ignorância absoluta da equipe jornalística do Bom Dia Brasil em relação à realidade dos animais e do porquê a situação de abandono está do jeito que está. E me desculpa, mas depois da invenção do Google,  não existe justificativa plausível para uma reportagem absurda como essa!!!!!!! Se a eutanásia resolvesse o problema da superpopulação nós não teríamos mais esse problema hoje, tendo em vista os milhões de animais mortos nas  últimas décadas pelas cidades brasileiras que, para não perder o hábito, não tem nenhuma política pública salvo raras exceções como Florianópolis .

A castração aliada à educação são é a ÚNICA saída para a solução deste triste problema, coisa que os nossos hermanos  argentinos já descobriram, através de um projeto exemplar que acontece na cidade de Almirante Brown (para saber mais clique aqui).

E outra coisa, o Brasil é o único país do MUNDO que não trata a Leishmaniose Visceral Canina!!!!!!!!!!!!! Leishmaniose tem tratamento SIM!!!!  (Para saber mais, clique aqui).

Se você quiser mais informações úteis sobre a questão da superpopulação de animais, clique aqui, aqui e aqui.

Acho que está falando um café bem forte para acordar a equipe do Bom Dia Brasil.

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Hoje li no blog Bicharada um post que conta a história desta Calopsita que está na foto. Ela foi vendida na Pet’s Way localizada no Shopping Bourbon Country aqui em Porto Alegre, e também vende cães. Vou colocar aqui o relato trazido pelo Bicharada, e os meus  comentários ficarão em vermelho.

“O blog Bicharada recebeu a história de Camila Cardozo de Vasconcellos, que adquiriu uma calopsita na loja Pet’s Way do Bourbon Country na sexta-feira, dia 30 de abril.

A Camila conta que pagou um preço acima do mercado, por imaginar que estaria comprando um animal mais saudável, em um local renomado (nenhum local realmente idôneo vende animais). Ao retirar o bichinho da gaiola, ele estava extremamente agitado e o vendedor disse que era normal, ele estava apenas desacostumado com o contato humano.

Já em casa, com a calopsita mais tranquila, Camila percebeu um profundo corte no peito do pássaro. Ligou para loja, relatou o ocorrido e levou novamente o animal até o local. A veterinária disse que as calopsitas apanharam de outros pássaros, mas já haviam sido separadas. Quando foi examinar o ferimento, segundo Camila, ela deixou o bichinho cair no chão, agravando ainda mais o machucado.(Fico me perguntando que tipo de atendimento esse profissional presta aos animais que estão sob os seus cuidados)

Após limpar e examinar o corte, a veterinária indicou a compra de uma pomada para que o procedimento fosse efetuado em casa. Ao cuidar do ferimento, Camila teve outra surpresa:

- Ao fazer a limpeza do ferimento percebi que o pobrezinho está cheio de piolhos, ao ponto de os parasitas se aglomerarem em torno da ferida aberta para se alimentarem.

Camila entrou em contato por email com o sócio da loja, Fernando Kolb, e o blog Bicharada conversou com ele por telefone.

Fernando disse estar extremamente constrangido pelo erro de sua equipe que, no mínimo, deveria ter fornecido a pomada de graça para o tratamento (Me desculpa mas o erro é DELE em vender animais nas suas lojas!!!! TODO MUNDO SABE que os animais sofrem, estão sujeitos às doenças por estarem expostos em um ambiente de grande circulação de pessoas e muito stress. Os filhotes de cães, por exemplo, ficam sujeitos a parvovirose, cinomose que muuuuuitas vezes são fatais). Além disso, falou que há um procedimento padrão: trocar o animal machucado por outro saudável e submeter o anterior a tratamento (Hellooooo!!!! Bicho não é pneu de carro que se troca o estragado pelo novo!!!! Bicho NÃO É MERCADORIA. Aliás, talvez seja para os donos deste tipo de loja).

Como Camila deixou claro que “se trata de um ser vivo, não de um bem como um eletrodoméstico, o qual se troca facilmente com desapego”, Fernando sugeriu que a calopsita ficasse um tempo sob os cuidados da vetrinária supervisora da loja e devolvido assim que estivesse bem (Fala sério!!! Deus me livre deixar um bicho meu na mão desse tipo de gente!!!!).

Fernando ainda frisou que compra os pássaros dos melhores criadores (que tipo de “melhores criadores” são esses que deixam os seus animais sob os cuidados de lojas em shopping????), os animais expostos passam por avaliação veterinária e recebm alimento de qualidade, tudo para garantir a satisfação do cliente. Em relação a superlotação da gaiola onde as calopsitas foram machucadas, ele disse que, onde poderiam caber 12 pássaros, eles mantem quatro - menos da metade.

No email para Camila, Fernando coloca:

- Só nos resta agradecer pelo seu envio, pois seremos os únicos vitoriosos. Isto se soubermos aprender a lição (Qual lição? Deixar de vender animais nas suas lojas?). Por ora, fica apenas o registro de nosso profundo constrangimento.

Fernando e a veterinária responsável pela Pet’s Way do Bourbon Country estão estudando quais medidas irão tomar para prevenir o surgimento de problemas como os piolhos, que Camila relatou. (Simples: PARAR de vender animais nas suas lojas)

Camila encerrou dizendo que não sabe se deixará o animal na loja para tratamento, com o temor de que algo aconteça enquanto ele estiver lá. A calopsita será levada ao veterinário de confiança dela para prosseguir com os cuidados.

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Foto: Dirceu Garcia Garcia Jr. http://br.olhares.com/abandono_foto1457928.html

Foto: Dirceu Garcia Garcia Jr. - http://br.olhares.com/abandono_foto1457928.html

Semana passada estava lendo um post no blog da Camille Chamone (uma criadora excelente e muito responsável de buldogues franceses - para entender o porquê clique aqui e aqui) sobre uma pessoa interessada em um dos seus filhotes mas se recusava terminantemente a cumprir uma cláusula do contrato que obriga o cão a ser castrado até os oito meses de idade (como qualquer criador responsável faz para evitar o problema do abandono e superpopulação). Um dos argumentos dessa pessoa para não castrar o cão que ela gostaria de comprar foi:

“Pelo que sei e tenho visto (onde, em marte???), os cães que se encontram na rua não são: bulldog, yorkshire, maltês, shih-tzu ou outra raça parecida, portanto os cães que vocês descrevem são vira-lata ou mestiços “(me pergunto se ela quis dizer que as pessoas só abandonam vira-latas ou mestiços, ou que estes cães viveram desde sempre nas ruas e os com raça sempre tiveram um lar… sinceramente não entendi, mas de qualquer maneira nada disso coincide com a realidade).

E por coincidência, no mesmo dia encontrei no Mãe de Cachorro um post falando da newsletter da ARCA Brasil sobre o aumento do abandono de animais, e eles colocam que enquanto as pessoas não forem educadas e conscientes, além das medidas de controle e fiscalização que devem ser exercidas pelos órgãos públicos de maneira efetiva (afinal, para que se paga tanto imposto nesse país????) a realidade não vai melhorar. Me responda: Quem escolhe que os cães vivam nas ruas? São eles que escolhem viver abandonados à própria sorte? Mas afinal, de onde vem tantos cães abandonados? O aumento do comércio indiscriminado de cães em pet shops e feiras de filhotes, que certamente vem de fábricas de filhotes e não de legítimos criadores, propicia que muitas pessoas menos conscientes adquiram um cão ou gato sem a menor noção das implicações que isso traz para a sua vida. O modismo e o impulso pelo consumo fazem com que os animais não humanos acabem pagando a conta pelos erros dos animais humanos. A venda dos animais sem a obrigatoriedade de castração e microchipagem para a identificação de quem é o responsável pelo animal, e a impunidade tanto para quem vende animais sem nenhum controle quanto para quem abandona, são aspectos que também contribuem para o aumento do abandono de animais. Muitas pessoas tem a idéia de que a maioria dos cães que vivem nas ruas nasceram nas ruas, mas isso não procede. Como escrevi ano passado no post Almirante Brown : Com a escassez de alimentos a qual os cães que vivem nas ruas estão sujeitos, um dos primeiros efeitos é a perda da capacidade reprodutiva, o que não acontece com cães domiciliados e semi-domiciliados. Ou seja, os cães que vivem nas ruas são apenas a ponta do iceberg do problema de superpopulação. Os cães que vivem nas ruas não só são os que menos se reproduzem, eles são a consequência de um problema maior: a reprodução descontrolada dos animais domiciliados e semi-domiciliados, e que acabam nas ruas.

tabela Esse discurso de que não existem cães de raça abandonados não tem nenhuma fundamentação na realidade. Se você ainda tem alguma dúvida, clique aqui vá até o final da página e veja o Boxer que está na fila da eutanásia no CCZ de Baurú/SP. Com isso a gente pode perceber que o problema não está nas ruas, mas sim dentro da casa de cada pessoa que:

  • não castra os seus animais de estimação;
  • compra/ adota um cão ou gato sem refletir nas implicações que isso traz para o seu cotidiano e depois dá o animal como se fosse uma roupa velha para o primeiro que disser que vai cuidar;
  • compra/ adota um animal e depois o abandona (vale lembrar que abandono é crime previsto em lei);
  • deixa os seus animais solto nas ruas;
  • não coloca nenhum tipo de identificação no seu animal de estimação para que, caso ele fuja ou se perca, seja possível viabilizar o seu retorno ao lar (e isso pode acontecer com qualquer cão ou gato, por mais improvável que isso possa parecer)

A realidade é essa, quer se queira ou não. As pessoas podem pensar o que quiserem e fantasiar à vontade desde que o seu devaneio não traga prejuízo ou sofrimento para os animais, que são seres vivos, e para além de vontades e achismos, tem o direito, que lhes é assegurado por lei, de ter uma vida digna longe da tristeza do abandono.

P.S. A Bianca do Cachorrando fez a tradução do programa da Oprah sobre as Fábricas de Filhotes. Clique aqui para ler a tradução, que vai ajudar muito a entender em que condição vivem os animais que lá se encontram.

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Achei muuuuuito interessante a proposta dessa peça de teatro que está em cartaz em Portugal, fazer o exercício de se colocar no lugar do outro pode trazer resultados interessantes…

“Seres humanos trocam de lugar com animais em peça de teatro em Portugal

“Perguntem aos Vossos Gatos e aos Vossos Cães” é uma comédia da Companhia Teatral do Chiado, de Portugal na qual humanos e animais trocam de papéis: os primeiros estão presos e os seus tutores são os bichos. Mas há dois que tentam fugir e acabam respondendo pela fuga perante o Tribunal dos Animais.

Um era um “homem-de-guarda”, responsável pela segurança da casa do Cão; o outro era explorado num circo. Fartos dos trabalhos que tinham, resolvem roubar a chave da Liberdade e fugirem do Reino dos Bichos. Mas, são apanhados e agora vão ter de ir a julgamento…

Mas o que é roubar, prender e julgar? Quando se tem uma má vida deve-se fugir ou obedecer? E é melhor ser livre ou estar preso? Perguntas e mais perguntas, numa peça que pretende levar os mais novos a aprenderem a questionar sobre a atual situação dos animais.”

Fonte: ANDA

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Sempre que leio uma notícia como esta, (o que infelizmente ainda é raro), me dá uma certa sensação de alívio.  Já que as pessoas continuam insistindo em cometer crimes contra os animais, pelo menos a lei, de vez enquando, funciona. Esse tipo de situação deve servir de de exemplo tanto para as pessoas  que  comentem crimes contra os animais, como para as pessoas em geral que muitas vezes se omitem quando presenciam casos de abandono e violência; sem falar no judiciário que existe para que se cumpra a lei e maus tratos contra qualquer animal é crime.

As informações são da folha online.

Justiça condena mulher acusada de abandonar cadela em Cascavel (PR)

LUIZ CARLOS DA CRUZ
colaboração para a Agência Folha, em Cascavel

Maltratar animais domésticos ou deixar de prestar os mínimos cuidados pode dar dor de cabeça a donos de cães em Cascavel (498 km de Curitiba). A Justiça condenou, na tarde desta sexta-feira, a dona de casa Geneci Martins de Lima a pagar multa por tratar com descaso Dora, uma cadela da raça cocker.

Em julho de 2008, Dora foi encontrada abandonada e recolhida pela Acipa (Associação Cidadã de Proteção ao Animal), uma ONG que cuida de animais em situação de risco.

Segundo Laurenice Veloso, presidente da entidade, o animal estava com sarna, foi tratado e colocado para adoção. Lima adotou Dora, mas em março do ano passado ligou para a entidade dizendo que o animal estava com feridas em todo o corpo e pediu um acompanhamento. Uma voluntária foi ao local e recolheu a cadela, que apresentava quadro de infecção generalizada.

“Na verdade ela nos ligou porque queria que nós recolhêssemos a Dora novamente”, diz Veloso. Segundo ela, a cachorra foi encontrada amarrada com uma pequena corda do lado de fora da residência. Além de recolher o animal, a ONG decidiu processar Lima.

Recuperada, Dora –hoje com quatro anos– está hoje na casa da presidente da Acipa e será encaminhada para uma nova adoção. “Eu não a levo para o abrigo porque lá vai ser muito estressante. Ela já sofreu demais”, declara Veloso.

Ela disse também que quer ingressar com uma nova ação contra a agressora cobrando o ressarcimento dos R$ 960 que a entidade gastou com o tratamento veterinário de Dora.

Além de condenar a dona de casa a pagar multa, a juíza Jaqueline Allieve, do Juizado Especial Criminal, sentenciou que, em caso de reincidência, a mulher será julgada pela Justiça comum. Se ela deixar de pagar a multa imposta pelo Judiciário, a pena poderá ser convertida em prisão de até 15 dias.

A multa estabelecida foi de R$ 465, valor dividido em três parcelas de R$ 155. A reportagem não conseguiu falar com Geneci Martins de Lima sobre o assunto.

Histórico

Além dos caso de Dora, a Acipa formalizou outras quatro denúncias por maus-tratos em Cascavel. A audiência de uma delas está marcada para o dia 11 de março. Trata-se da acusação contra dois estudantes de veterinária de uma faculdade particular, que teriam agredido violentamente uma cachorra na garagem da casa onde eles moram, segundo a entidade.

“Era uma cadela que amamentava, mas a gente não conseguiu encontrar os cachorrinhos”. Segundo a denúncia feita à ONG por uma colega de curso e vizinha dos supostos agressores, os dois rapazes se irritaram pelo fato de a cadela ter entrado na garagem da casa e a espancaram com um cabo de vassoura.

Em maio do ano passado, um casal foi condenado a pagar R$ 965 por abandonar um cachorro que acabou morrendo.

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