abandono

You are currently browsing articles tagged abandono.

Estou para escrever este post há tempos, inclusive recebi um e-mail da Vivi Vieri sobre o  assunto, mas  é uma questão espinhosa porque envolve várias situações tradicionalmente preteridas pelas instâncias públicas que deveriam dar conta delas: os animais e as pessoas com problemas mentais.

O abandono histórico, a falta de políticas públicas efetivas de saúde mental, de proteção aos animais e controle populacional fazem com que esta seja uma combinação trágica tanto para as pessoas quanto para os animais.

Uma situação recorrente é o abandono de animais na casa dessas pessoas, que acabam tornando-se  referência como alguém que gosta de animais, quando na verdade são pessoas doentes.

Os colecionadores  só acumulam animais mas nunca os doam, apesar da impossibilidade de cuidá-los de maneira adequada. Em  função deste excesso deixam de ter vida social, não conseguem cuidar de casa, do trabalho, da família.

O que torna essa situação mais complicada é que eles não tem a capacidade de compreender  a deterioração progressiva da saúde e higiene de seus animais, (não reconhece a doença, a morte e a fome) e do meio onde se encontram (superlotação e más condições higiênicas). A falta de juízo crítico faz com que as intervenções com essas pessoas sejam mais complicadas, requerendo uma ação interdisciplinar (ministério público, assistente social, psicólogo, psiquiatra…)

Isso acontece também com instituições de proteção animal, que pela dificuldade de reconhecer os seus próprios limites acabam recolhendo muito mais animais que a sua estrutura permite, colocando-os em uma situação pior a que a das ruas.

Perfil do Colecionador

EM 1999 o Dr. Gary Patronekconduziu uma pesquisa para traçar o perfil do acumulador de animais e, chegou às seguintes conclusões:

* 76% são mulheres.
* 46% têm 60 anos ou mais.
* A maioria é de solteiros e mais da metade vive sozinho.
* Em 69% dos casos, fezes e urina de animais estavam acumuladas nas áreas sociais da casa. Em mais de 25% dos casos, a cama do acumulador estava suja com fezes e urina.
* Animais doentes ou mortos foram descobertos em 80% dos casos relatados, ainda que em 60% dos casos os acumuladores não reconhecessem o problema.

Clique aqui para ler a reportagem da Revista Época, e lembre-se: Castração e posse responsável são a solução para que não haja abandono e sofrimento dos animais.

Fontes:

Irmão Sol, Irmã Lua

União Libertária Animal

Tags: , , , , ,

Vi lá no Mãe de Cachorro o vídeo com a matéria feita hoje pela manhã no Bom Dia Brasil, se retratando em relação à matéria que falava sobre a eutanásia como meio de controle populacional de cães e gatos abandonados.
Já é um bom começo

Creative Commons License
cachorroparaguaio.com by Cristina Scalabrin is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.

Tags: , , , , , , ,

Estava eu, sossegada, dando uma olhada no twitter, quando vejo um link do @loborepórter com esta pérola.

Eu fico IMPRESSIONADA com a ignorância absoluta da equipe jornalística do Bom Dia Brasil em relação à realidade dos animais e do porquê a situação de abandono está do jeito que está. E me desculpa, mas depois da invenção do Google,  não existe justificativa plausível para uma reportagem absurda como essa!!!!!!! Se a eutanásia resolvesse o problema da superpopulação nós não teríamos mais esse problema hoje, tendo em vista os milhões de animais mortos nas  últimas décadas pelas cidades brasileiras que, para não perder o hábito, não tem nenhuma política pública salvo raras exceções como Florianópolis .

A castração aliada à educação são é a ÚNICA saída para a solução deste triste problema, coisa que os nossos hermanos  argentinos já descobriram, através de um projeto exemplar que acontece na cidade de Almirante Brown (para saber mais clique aqui).

E outra coisa, o Brasil é o único país do MUNDO que não trata a Leishmaniose Visceral Canina!!!!!!!!!!!!! Leishmaniose tem tratamento SIM!!!!  (Para saber mais, clique aqui).

Se você quiser mais informações úteis sobre a questão da superpopulação de animais, clique aqui, aqui e aqui.

Acho que está falando um café bem forte para acordar a equipe do Bom Dia Brasil.

Creative Commons License
cachorroparaguaio.com by Cristina Scalabrin is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.

Tags: , , , , , , , , ,

Foto: Dirceu Garcia Garcia Jr. http://br.olhares.com/abandono_foto1457928.html

Foto: Dirceu Garcia Garcia Jr. - http://br.olhares.com/abandono_foto1457928.html

Semana passada estava lendo um post no blog da Camille Chamone (uma criadora excelente e muito responsável de buldogues franceses - para entender o porquê clique aqui e aqui) sobre uma pessoa interessada em um dos seus filhotes mas se recusava terminantemente a cumprir uma cláusula do contrato que obriga o cão a ser castrado até os oito meses de idade (como qualquer criador responsável faz para evitar o problema do abandono e superpopulação). Um dos argumentos dessa pessoa para não castrar o cão que ela gostaria de comprar foi:

“Pelo que sei e tenho visto (onde, em marte???), os cães que se encontram na rua não são: bulldog, yorkshire, maltês, shih-tzu ou outra raça parecida, portanto os cães que vocês descrevem são vira-lata ou mestiços “(me pergunto se ela quis dizer que as pessoas só abandonam vira-latas ou mestiços, ou que estes cães viveram desde sempre nas ruas e os com raça sempre tiveram um lar… sinceramente não entendi, mas de qualquer maneira nada disso coincide com a realidade).

E por coincidência, no mesmo dia encontrei no Mãe de Cachorro um post falando da newsletter da ARCA Brasil sobre o aumento do abandono de animais, e eles colocam que enquanto as pessoas não forem educadas e conscientes, além das medidas de controle e fiscalização que devem ser exercidas pelos órgãos públicos de maneira efetiva (afinal, para que se paga tanto imposto nesse país????) a realidade não vai melhorar. Me responda: Quem escolhe que os cães vivam nas ruas? São eles que escolhem viver abandonados à própria sorte? Mas afinal, de onde vem tantos cães abandonados? O aumento do comércio indiscriminado de cães em pet shops e feiras de filhotes, que certamente vem de fábricas de filhotes e não de legítimos criadores, propicia que muitas pessoas menos conscientes adquiram um cão ou gato sem a menor noção das implicações que isso traz para a sua vida. O modismo e o impulso pelo consumo fazem com que os animais não humanos acabem pagando a conta pelos erros dos animais humanos. A venda dos animais sem a obrigatoriedade de castração e microchipagem para a identificação de quem é o responsável pelo animal, e a impunidade tanto para quem vende animais sem nenhum controle quanto para quem abandona, são aspectos que também contribuem para o aumento do abandono de animais. Muitas pessoas tem a idéia de que a maioria dos cães que vivem nas ruas nasceram nas ruas, mas isso não procede. Como escrevi ano passado no post Almirante Brown : Com a escassez de alimentos a qual os cães que vivem nas ruas estão sujeitos, um dos primeiros efeitos é a perda da capacidade reprodutiva, o que não acontece com cães domiciliados e semi-domiciliados. Ou seja, os cães que vivem nas ruas são apenas a ponta do iceberg do problema de superpopulação. Os cães que vivem nas ruas não só são os que menos se reproduzem, eles são a consequência de um problema maior: a reprodução descontrolada dos animais domiciliados e semi-domiciliados, e que acabam nas ruas.

tabela Esse discurso de que não existem cães de raça abandonados não tem nenhuma fundamentação na realidade. Se você ainda tem alguma dúvida, clique aqui vá até o final da página e veja o Boxer que está na fila da eutanásia no CCZ de Baurú/SP. Com isso a gente pode perceber que o problema não está nas ruas, mas sim dentro da casa de cada pessoa que:

  • não castra os seus animais de estimação;
  • compra/ adota um cão ou gato sem refletir nas implicações que isso traz para o seu cotidiano e depois dá o animal como se fosse uma roupa velha para o primeiro que disser que vai cuidar;
  • compra/ adota um animal e depois o abandona (vale lembrar que abandono é crime previsto em lei);
  • deixa os seus animais solto nas ruas;
  • não coloca nenhum tipo de identificação no seu animal de estimação para que, caso ele fuja ou se perca, seja possível viabilizar o seu retorno ao lar (e isso pode acontecer com qualquer cão ou gato, por mais improvável que isso possa parecer)

A realidade é essa, quer se queira ou não. As pessoas podem pensar o que quiserem e fantasiar à vontade desde que o seu devaneio não traga prejuízo ou sofrimento para os animais, que são seres vivos, e para além de vontades e achismos, tem o direito, que lhes é assegurado por lei, de ter uma vida digna longe da tristeza do abandono.

P.S. A Bianca do Cachorrando fez a tradução do programa da Oprah sobre as Fábricas de Filhotes. Clique aqui para ler a tradução, que vai ajudar muito a entender em que condição vivem os animais que lá se encontram.

Creative Commons License cachorroparaguaio.com by Cristina Scalabrin is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Semana passada li no site da Anda uma notícia sobre um filhote encontrado na Inglaterra:

Filhote de cachorro é abandonado em campo coberto de neve na Inglaterra
17 de janeiro de 2010
Por Raquel Soldera (da Redação)

Enquanto passeava com seu cachorro, uma mulher encontrou um filhote de cachorro abandonado dentro de um saco plástico, deixado para morrer em um campo coberto de neve, em Catrine Ayrshire, na Inglaterra.

Durante o passeio, o cão correu para o campo e começou a cheirar o saco plástico. Quando a mulher se aproximou para ver o que tinha no saco, encontrou uma fêmea de seis semanas, tremendo.

“Nós não sabemos há quanto tempo ela estava lá, mas acho que foi questão de horas e não dias, pois um filhote de cachorro pequeno não poderia ter sobrevivido por muito tempo no frio congelante”, disse o motorista da ambulância da SPCA, Jean MacKay. “Infelizmente muitos animais, principalmente filhotes, são abandonados após o Natal, quando se tornam presentes indesejados”, completou.

O filhote sobreviveu e foi encaminhado para o Centro de Resgate de Animais de Glasgow. As pessoas que estão cuidando dela no centro de resgate a chamaram de Katie.”

Dar um cão de presente é complicado. Ele é um ser vivo que tem necessidades, e com a chegada deles na família logicamente a rotina muda. Eles não são coisas, objetos. Eles tem necessidades, e ter ou não um animal de estimação é uma questão pessoal de cada um. Logo, nunca se deve dar um animal de presente, porque ele corre riscos de não ser bem aceito, e acabar sofrendo maus tratos, como foi o caso do filhote da reportagem. Dar bicho de presente é coisa de gente sem noção.

Mas hoje eu queria falar mesmo é sobre a grande dificuldades que a maior parte das pessoas tem em dizer: não. É um constrangimento, como se o outro não pudesse ser contrariado, porque “fica chato” . Ou vem aquele papo: “mas ele fez com a melhor das intenções”. Para esse tipo de argumento a minha resposta é sempre a mesma: O céu está cheio de boas ações, o inferno é que está cheio de boas intenções.

Chato é: um filhote ser abandonado para morrer de frio, ou atropelado pelas ruas; as pessoas não terem noção de que os animais são seres vivos e que merecem respeito; o comércio abusivo e irresponsável de animais que propicia que eles sejam disponibilizados e depois descartados como mercadorias.

Depende de nós que essas situações tristes como a do filhote abandonado para morrer congelado não aconteçam. E a melhor resposta que se pode dar para alguém cheio de boas intenções mas sem nenhuma noção é: não, obrigada.

Creative Commons License
cachorroparaguaio.com by Cristina Scalabrin is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Lamentável, mais um cão abandonado. Pelo que eu ando lendo e vendo por aí, seria mais sensato o cachorro ter medo das pessoas. E chama os bombeiros!

Fonte: SPTV

Tags: , , , , , ,

Imagine que você está andando tranquilamente por uma estrada, quando de repente você vê uma cena na qual você custa a acreditar: uma pessoa abre a porta do carro e abandona o cachorro, à própria sorte, na estrada.

Foi exatamente isso que aconteceu com a protetora Marcela Opazo, uma pessoa que trabalha em prol dos animais abandonados no Chile, mais precisamente na cidade de Pirque. Ela estava indo buscar um cão para adoção, quando se deparou com a cena, cujo os protagonistas são os infelizes da fotografia abaixo.

a-face-do-crime

O nome do proprietário do carro é Kirk Hurtado Solar

Segue com vocês a matéria publicada pela ANDA:

“Pirque é uma comunidade da região metropolitana de Santiago, no Chile, conhecida por dezenas de cães serem abandonados todos os dias na estrada, como objetos que já não servem mais. Para piorar, o prefeito Cristián Balmaceda Undurraga proibiu que os residentes da área alimentassem os cães abandonados.

O abandono de animais é comum em todo o Chile, pois há mais de 3 milhões de animais que sofrem nas ruas. E, como se isso não bastasse, o Senado está prestes a aprovar uma lei que irá “eutanasiar” os vira-latas de rua.

O relato a seguir é de Marcela Opazo, uma mulher que dedica sua vida à proteção dos cães abandonados, especialmente em Pirque. Estava indo buscar um cão para ser adotado e se deparou com um ato de negligência e abandono de um animal.

“No último domingo (6), por volta das 19h30, ia pela estrada que une San Juan de Pirque com a passagem das pistas. Passando a ponte pude ver um carro bege estacionado no lado da pista com pouco acostamento, o que me chama a atenção, e digo ao meu marido que talvez tenham perdido alguma coisa. Eu continuo olhando no espelho retrovisor quando de repente vejo a porta da frente abrir, uma mulher vai até o porta-malas e joga na rua um cão marrom-dourado semelhante a um cocker. Grito para meu marido parar o carro. Saio com a câmera fotográfica na mão para tirar fotos da placa do carro antes que saia. O nervosismo faz com que minhas mãos tremam, minha boca seca, e mais uma vez pressiono o botão da câmera fotográfica.

Depois de tirar várias fotos, um homem que está ao volante me olha irritado e diz: ‘o que está fazendo senhora?’ Nervosa respondo: ‘não sente vergonha de jogar o seu cão na rua?’. Noto que ao seu lado está uma jovem senhora e no banco de trás seus dois filhos pequenos olham sem entender nada. A mulher abaixa a cabeça e diz: ‘é que não queremos mais ficar com ele’. ‘Isso não lhe dá direito de abandoná-lo’, lhe digo. Imediatamente o motorista pisa no acelerador e arranca, enquanto seu cachorro caminha de um lado para outro esperançoso, tentando abrir a porta, e implorando ‘por favor, o que aconteceu’. O pobre animal não conseguiu correr o suficiente atrás daqueles que um dia o quiseram.

3

Pouco depois o cachorro, cansado de correr, com a língua para fora, os olhos arregalados, andando de lá para cá, me olha, cheira meu carro, geme, respira incessante. Eu com raiva e um sentimento de impotência tento aproximar-me, mas ele não deixa, só me olha. Eu tento pegá-lo, mas ele não deixa, volta a correr, até que o perdemos de vista.”

4

Fonte: ANDA

Tags: , , , , ,

Recebi da  querida Marli o e-mail de divulgação do Projeto de Castração a baixo custo aqui em Porto Alegre, organizado por Protetores.

A esterilização é a única maneira de proteger os animais do abandono, além de previnir diversas doenças.

Vai ser no próximo domingo, 06/12/2009, e para informações e agendamento ligue para: (51) 8437.3760, 3362.3056 ou através do e-mail: projetocastracao@yahoo.com.br

E lembre-se: quem ama, castra!!!!!

Tags: , , , ,

Sinceramente, eu sinto uma tristeza quando vejo um caso desses, porque simplesmente isso não precisa acontecer.

Se as pessoas não conseguem pensar antes de ter um animal sob os seus cuidados (que seria o mínimo), pelo menos poderiam buscar adotantes para o seu cão. Todo mundo sairia ganhando. Mas não, as pessoas preferem não se responsabilizar pelas próprias escolhas, nem que isso custe a vida de um ser vivo.

Abandono é crime, que deve ser punido exemplarmente.

Clique aqui e saiba como fazer denúncia por maus tratos.

Tags: , , , , , , ,

nature-light

Ainda bem que a folha publicou o contraponto sobre a tal da coluna initulada ENCALHADO escrita pela Mônica Bergamo. (para ler a coluna clique aqui, e para ler o  meu texto sobre a ela, clique aqui). Os comentários vão durante o texto.

Protetores pregam castração de cães e gatos contra abandono
Publicidade

FLÁVIA GIANINI
da Folha de S.Paulo

O cruzamento de Spike, 2, e de Kiara, 1, -um simpático casal de lhasa apso- resultou em quatro filhotinhos, uma fêmea e três machos. O nascimento, há uma semana, foi festejado na casa da fonoaudióloga Cláudia Saltini, 46, e do publicitário Alberto Penteado, 56. “Eles são lindos.”

Os filhotes foram divididos irmamente: dois vão ficar com os proprietários do “pai” e a outra metade vai morar com os criadores da “mãe”.
É um final feliz que contempla o desejo de uma família que leva a sério o conceito de posse responsável . Tanto é que decidiram também pela castração de Spike, adquirido antes da regulamentação da lei municipal nº 14.483, em abril de 2008, que prevê que todo animal de estimação seja comercializado devidamente esterilizado. As crias de Spike também serão castradas.

O tema é polêmico, como demonstram as mensagens publicadas na seção Curtas Cartas em resposta à reportagem “Encalhado” (exclusivo para assinantes da Folha e do UOL), em que a colunista da Folha Mônica Bergamo relata as dificuldade do seu schnauzer João, 5, para encontrar uma namorada.

“O problema vivido pela colunista é típico de tantos outros proprietários de animais”, explica Marco Ciampi, presidente da ONG Arca Brasil. “Devemos lembrar que o impulso e o instinto do animal é pela reprodução.”

A entidade defensora do bem-estar dos animais, no entanto, recomenda a todos os donos que castrem seus pets e que a reprodução da raça fique restrita a criadores profissionais. “As fábricas de filhotes devem ser combatidas a todo o custo”, afirma ele. (para saber mais sobre os cuidados que se deve ter em relação aos criadores, clique aqui e assista o documentário “Os Segredos do Pedigree”)

No centro da questão do controle da reprodução dos animais, está o drama do abandono dos filhotes indesejados. De acordo com dados do Centro de Controle de Zoonoses, existem cerca de 150 mil cães abandonados na capital. Para os militantes da causa, incentivar a procriação do animal de estimação nesse contexto revela descompromisso e descaso. “Quase sempre o proprietário tem interesse em manter um filhote, mas não se preocupa com o que fará com todos os outros que surgirão dessa cruza”, afirma Vanice Orlandi, presidente da União Internacional Protetora dos Animais.

Ela defende uma medida radical: qualquer tipo de procriação deve ser suspensa por alguns anos. “Até que o excedente populacional venha a decrescer”, diz.

Para os criadores profissionais, acabar com a reprodução de animais não é a solução. “Quem compra um filhote de um bom criador geralmente cuida muito bem dos seus animais”, rebate as críticas o veterinário Ailton Blois, supervisor do Kenel Clube São Paulo. “É mais comum ser displicente com aquilo que não se paga.” (Se os animais fossem objetos, talvez essa afirmação fizesse sentido, mas no caso cães não são “aquilo”, cães são alguém)

A crítica dos protetores recai sobre o fato de que, na hora de vender um animal, o criador não quer saber se o comprador tem condições para manter aquele cão ou gato sob a sua guarda (Em alguns lugares do mundo, alguns criadores fazem uma triagem dos candidatos a proprietários. Vi isso em um canil de Huskies Siberianos no Alaska, e também com alguns criadores de Cão D’Água Português quando a raça virou moda em função do cachorro do Obama. Nunca tive notícias disso aqui no Brasil ). “Já as entidades colhem dados para se certificar de que o interessado em adotar possui condições para ter um animal”, argumenta Vanice.

Ao dar o pet em adoção, as ONGs observam o poder aquisitivo da família, a disponibilidade de tempo e as condições de alojamento, entre outros critérios que possam dar a mínima garantia de que o bicho será bem tratado e não corre risco de ser novamente abandonado. Abandono é crime, punível com multa e de três meses a um ano de prisão. “Já a procriação domiciliar não é recomendada, mas é um direito dos proprietários desde que se responsabilizem totalmente pelas crias”, afirma Marco Ciampi.

Licença para procriar

Em países como os EUA, quem quiser manter um animal sem castrar paga o dobro do valor da licença anual exigida dos proprietários. O valor pode chegar a US$ 100. Algumas cidades vendem licenças para procriação. Os recursos são aplicados em programas de subsídio para a castração e o controle da reprodução dos animais. Com medidas como essas, o país reduziu de 12 milhões para 4,5 milhões o número de cães e gatos sacrificados anualmente.

Desde que a schnauzer Looppy, 6, era um filhotinho, o publicitário Wagner Poggetto, 46, e a enfermeira Simone Del Poggetto, 35, se depararam com a dúvida: castrá-la ou não? Os argumentos a favor da castração são fortes. Mas, por ser uma cirurgia definitiva, a decisão foi sendo adiada.

“Se você tem certeza de que não quer mais cachorros, ótimo. Mas e quando a vontade existe?”, questiona Simone. O casal lidava com a questão a cada novo cio, especialmente por saber os benefícios da intervenção.

O tempo passou, e Loopy não teve filhotes. Agora, ela está entrando na “terceira idade”, e a castração não é mais indicada (perderam a chance de prevenir câncer de útero, câncer de ovários e câncer de mama e  piometra). A cadela passa por acompanhamento veterinário regular após cada período fértil. “Ela faz exames para verificar o estado do útero e das mamas e evitar complicações comuns na velhice”, explica Simone. Segundo a veterinária Ana Luiza Mazorra, o receio da maioria dos proprietários ao chegar ao seu consultório é em relação à intervenção cirúrgica. “Explico que os riscos são mínimos e as vantagens, muitas“, relata. “Mas, se não há chance de cruzamento indesejado, uma parte prefere evitar.”

A cirurgia consiste em retirar os testículos do macho e o ovário e o útero da fêmea. A intervenção pode durar até duas horas. O cão chega a receber alta no mesmo dia e deve ficar em repouso leve por uma semana até a retirada dos pontos. Período em que precisa tomar analgésico, anti-inflamatório e antibiótico para evitar complicações.

No hospital veterinário Sena Madureira são realizados, em média, 20 castrações por mês, que custam entre R$ 300 e R$ 400, para o macho, e R$ 400 e R$ 600, para a fêmea. Em clínicas conveniadas à prefeitura, o preço varia de R$ 100 a R$ 200.

É uma saída cirúrgica para a crise de superpopulação animal.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u646293.shtml

Para saber mais sobre os benefícios da castração, clique aqui.


Tags: , , , , , , , , , ,

« Older entries